Vivemos a difícil tarefa de nos relacionarmos em uma sociedade egocêntrica e mesquinha. Conviver com o outro não é fácil nos dias atuais, uma vez que para um bom convívio entre indivíduos precisamos, muitas vezes, abrir mão das nossas vontades para chegarmos a um consenso. E mais que isso, precisamos ter respeito e sabermos nos relacionar com o adverso.
Já diria o poeta Mario Quintana: “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver … simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!” Um dos grandes males da sociedade atual é, sem dúvida, o egocentrismo do ser humano. Parece até mesmo irônico, uma vez que um dos males da Idade Média foi o teocentrismo, com Deus no centro de tudo. A Idade Sombria ou da Escuridão, como foi denominada, deixou muitas marcas na sociedade. Porém, passamos de um extremo ao outro. Aliás, na minha concepção, lá mesmo já se estava no egocentrismo, Deus não era o centro em nada. Pois se o mesmo fosse, muitas das atrocidades cometidas não teriam acontecido,e pior, cometidas e ditas em nome de Deus, o que ainda hoje acontece. O egocentrismo nos leva a acharmos que somos os únicos a ter valor. Não, cada ser humano tem o seu valor, tem o direito de ser o que bem entender, de pensar o que quiser pensar. Posso até concordar ou discordar das posições ou atitudes do outro, mas devo ter antes de tudo respeito, pois este que está ao meu lado é como eu. Se eu pensar que tenho mais valor que ele, logo o respeito já acabou. Respeito é primordial para conseguirmos viver e conviver nesta sociedade tão polarizada das mais diversas ideias, o respeito de entender que eu não sou mais que aquele que está ao meu lado, seja ele quem for.Uma das nossas maiores características é sermos mesquinhos, pobres e nos apegarmos a coisas tão pequenas, como se um “bom dia” ou um “Oi” fosse nos fazer tanta falta assim.
Não penso em grandes atitudes para melhorar o convívio entre as diferentes formas de pensar, ou mesmo diferentes personalidades, falo em coisas pequenas. É um “bom dia” ao colega de trabalho, é um levantar em um ônibus lotado para que uma pessoa idosa possa se sentar. Não precisamos querer revolucionar o mundo inteiro, podemos revolucionar pequenos fragmentos do mundo primeiro, podemos começar em casa, no trabalho, na faculdade.Podemos discordar um do outro e termos um debate de ideias, coisa aliás muito proveitosa e que não conseguimos, pois nos apegamos às pequenas coisas, levamos para o lado pessoal e simplesmente porque alguém pensa o contrário do que penso logo é meu inimigo, e em seguida estamos não em um debate, mas em uma guerra. Não, por favor não, ele pensa diferente de você, mas não é mais ou menos que você por aquilo que pensa, não deixa de ser um indivíduo, um humano tanto quanto você.
Sinceramente, às vezes penso ser utópico demais, pensando na possibilidade de conseguirmos conviver em uma comunidade tão polarizada de ideias e formas de levar a vida.Não é fácil, se assim o fosse conseguiríamos ao natural, mas que possamos tentar nos relacionar da melhor e mais respeitosa forma possível. Que antes de olharmos com nosso olhar julgador, possamos olhar com um olhar de amor. O grande líder americano dos direitos civis, Martin Luther King, tem uma frase interessante, dita justamente em uma sociedade onde o respeito um pelo outro não estava presente, e além disso, dita por quem sofria com esse desrespeito: “Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.” Que convivamos com respeito e sem nos apegarmos a coisas tão pequenas. Que possamos, em pequenos gestos, tornar mais harmoniosas nossas relações, mesmo no pensamento adverso. Que tenhamos a sensibilidade de usar esse mesmo pensamento que nos fez voar como pássaros e nadar como peixes, para convivermos como irmãos.
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