domingo, 1 de maio de 2016

Mais humanidade por favor

Hoje é dia de fazer memória dos trabalhadores/as que empenharam sua vida por mais direitos, aqueles que lutavam por uma jornada de 8h de trabalho em meio a escravidão da industrialização. Ali o lucro já era tido como mais importante que a pessoa. O homem já era comercializado e a etiqueta de preço já estava colocada. O sistema que mata, escraviza e exclui é hoje dominante. Esta impregnado em nossas relações. O trabalhador hoje, conquistou diversas garantias e direitos, que o dão maior segurança, porém o sistema ainda é regido pela relação TRABALHO-LUCRO.
            Enquanto o trabalhador é rentável para uma empresa, enquanto gera lucro, ele é um bom funcionário. Se por algum fator ele não está rendendo o esperado, não importa qual é o fator, o que importa é o lucro, e nesse caso ele já não é mais rentável. É descartado, como coisa, como produto que já não funciona mais.
Os trabalhadores que dia a dia, empenham seu suor para garantir o lucro de quem detém o poder do capital. Aqueles que a qualquer custo querem seus ganhos mantidos e aumentados, não importando a vida e a dignidade do ser humano. Aqueles que pagam direitos e deveres trabalhistas como se fizessem um favor ao funcionário, mas que não entendem que o que fazem ainda é menos que o mínimo. Aqui temos um problema de consciência. O que trago a reflexão não são os direitos e garantias do trabalhador, mas como os patrões encaram isso. Cumprem-se os deveres, como se cumpre requisitos, e sempre que possível fazem de tudo para retirar as garantias dos trabalhadores.
Vivemos o capitalismo selvagem, onde cada um quer ter mais e mais. A sede do poder e do dinheiro a todo custo acaba por levar a sociedade a um total egoísmo. De tal forma que o outro não importa, suas necessidades não importam, o que importa são os privilégios que eu tenho, e não quero de maneira nenhuma abrir mão para garantir as necessidades do outro. As relações regidas pela lógica TRABALHO-LUCRO não são humanas, pois o humano é capaz doar de seus privilégios para garantir as NECESSIDADES do outro, seja qual for a relação, inclusive e principalmente no trabalho!

Que a luta por dignidade e humanidade no trabalho continue!
"Não choraremos, a miséria, a guerra e debilidade. Sim cantaremos, contra elas e os seus promotores." Antonio da Cruz

domingo, 29 de junho de 2014

Alegrias e pesares de uma Copa



As emoções geradas pelo esporte são capazes de transformar realidades. A alegria pela vitória ou a frustração de uma derrota são sentimentos que unem famílias, que nos humanizam e eternizam momentos. E foi exatamente nesta conclusão que cheguei ao assistir o jogo entre Brasil e Chile no último sábado.

A Copa do Mundo no Brasil é uma grande controvérsia, e particularmente tenho críticas severas à realização do evento em nosso país. Duvido muito do chamado e tão falado “legado” da Copa para nós brasileiros. Não concordo com essa ideia de gente que nunca saiu às ruas para protestar e vem com esse “blá blá blá” de que protesto tem que ocorrer na urna. Protesto tem que ocorrer agora sim, pois a irresponsabilidade de governantes corruptos, que pensam apenas em seus pequenos e medíocres interesses, precisa ser denunciada publicamente. Afinal, é incoerente gastar bilhões em estádios padrão Fifa, enquanto 40% dos lares brasileiros não tem nem saneamento básico, isso sem falar nas estruturas da rede escolar e de saúde. Além disso, todo o efetivo policial brasileiro está aglomerado nas capitais onde ocorrem jogos, enquanto no interior os órgãos de segurança pública fazem milagre para conter a violência durante a copa. Obviamente, a intenção é passar a impressão de sermos um país seguro. Assim, temos motivos de sobra para protestar, pois o que existe durante a Copa é uma maquiagem da realidade brasileira para “gringo” ver. 

Entretanto, uma coisa são nossas mazelas sociais, nossos problemas socioeconômicos, e outra coisa é o esporte. Apesar de pensar que os jogadores brasileiros não fazem seu papel social como figuras públicas de nossa sociedade, pois poderiam usar de sua influência para "rasgar o verbo" e lutar pelas causas do povo, não podemos confundir as coisas. O esporte é o esporte, e deve ser visto como esporte, por isso não me privei de assistir aos jogos da Copa. E se uma Copa do Mundo tem um legado, certamente é com as famílias, poucas vezes as vejo se reunindo por algo, e o esporte tem essa capacidade. Nesses tempos de Copa todos entendem um pouco de futebol, o nervosismo, a aflição, a emoção e a alegria de um gol podem até ser o “ópio” deste povo, mas é inegável o quão bem isso faz para as famílias. Pais e filhos que talvez nunca derramem uma lágrima juntos, se abraçam aos prantos, na emoção de uma vitória. 

Apesar dessa beleza de sentimentos que a Copa instiga, aqueles que estão nos estádios em sua grande maioria não representam o povo brasileiro, pois o assalariado que vive com um salario mínimo não tem R$150,00 ou mais para pagar em um ingresso (por isso talvez só saibam cantar “eu sou brasileiro” e “o campeão voltou”). Um pesar, pois a festa seria verdadeiramente brasileira, se o povo brasileiro pudesse mostrar sua cara nos estádios. Ah como seria uma verdadeira festa, com o calor, a alegria, a criatividade e acolhida deste povo. Certamente não veríamos um bando de mal-educados a vaiar o hino nacional do adversário, estes “coxinhas” certamente não representam o verdadeiro povo brasileiro.

Assim, a copa é lugar para tudo: para protestar e lutar por um Brasil melhor e para o esporte mostrar sua força de reunir famílias e nações. Pensando em tudo isso, desejo que o “ópio” das alegrias futebolísticas consiga rasgar o véu da hipocrisia brasileira, que possamos deixar de olhar nosso voto como algo em favor dos nossos interesses particulares. Que não nos conformemos com “migalhas” dadas por governos corruptos, mas que possamos tomar para nós, nem o presente, nem o passado, mas uma mudança radical para um país mais digno e humano em todas as esferas sociais.

terça-feira, 11 de março de 2014

O Deus do Improvável



Deus de fato é um Deus que surpreende. Se você quer algo linear, algo chato, sem surpresas, sem momentos inesperados, não creia em Deus. Mas se você quer entrar em uma aventura sem fim, pode embarcar no Cristianismo, venha que Jesus surpreende sempre. 

Aqueles que me conhecem, sabem que aprecio e gosto de um bom café, de preferência forte e acompanhado de um jornal. A história que vou relatar aconteceu exatamente neste cenário. Saí um pouco mais tarde do que o normal hoje do trabalho, o dia foi um pouco corrido, estava também um tanto preocupado com minha avó, que fizera exames de rotina após superar um câncer. Costumo ir ao mesmo café, em um shopping em Passo Fundo. Pedi o de sempre: expresso forte, sem tablete de chocolate; a moça que já me conhece deixou apenas a xícara e levou a bandeja. Estava ali refletindo sobre o dia, analisando minha volta, quando Deus começa a mudar o findar de tarde. 

Uma menina de vestes simples, calçando chinelos e de mochila nas costas, se aproxima da mesa ao lado, onde se encontra um senhor e uma bem vestida mulher. A menina pelo que entendi pede uns trocados, e a mulher, do alto de sua arrogância e “classe” desfaz da menina como se falasse com um animal. A menina então se aproxima da minha mesa, e em meu coração vem a certeza das palavras de Jesus: “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber... Em verdade vos digo, cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.” Quando a menina me olhou e disse: “Tio tem um trocado?”, meu pensar até lembrou da moeda de um real que tinha em meu bolso, mas meu coração gritou: “Está com fome?” Ela sinalizou com a cabeça que “sim”, falei para sentar e escolher no cardápio o que comer. 

Por que não dei a moeda em meu bolso? Porque aquela moeda não mataria sua fome, com aquela moeda certamente não mataria minha fome, como poderia eu pensar que silenciaria a fome da menina? Em segundos, Deus me ministrava sobre amar o próximo como a si mesmo. E aqui faço minha reflexão: se é para dar ao outro aquilo que nós não usaríamos, sinto em desapontá-los mas isso não é amor, isso é conveniência, dou, pois a mim já não serve, dou aquilo que não me fará falta, dou minha sobra, mas isso não é dividir o pão, o pão que Jesus dividia era o mesmo que Ele comia. 

Pensei: nossa como Deus é bom! Já estava muito feliz, vendo a alegria da menina, o meu humano já estava satisfeito, mas Ele tinha algo mais a fazer, e aí entra o improvável de Deus. A menina fez o pedido, e começamos a conversar. Contou-me seu nome, sua idade, escolaridade, onde morava, e foi perguntando sobre mim. Percebi que ela era bem desinibida, com boa linguagem, pela idade estava na série correspondente na escola, e me falou que pedia trocados pois tinha mais três irmãos menores e que depois da aula, saía pedir trocados, para ajudar a alimentar os irmãos. 

Em meio à troca de informações, acontece o que mudou meu dia, e que ficará guardado em meu coração para sempre: a menina olha a cruz em meu peito e pergunta se eu era cristão, respondo que sim e perguntei se ela ia à igreja. Respondeu-me que sim, e até cantava, e foi aí que Deus falou pela menina, e ela começou a cantarolar em meio ao café: “Deus, mais uma vez segure em minha mão, minha alma aflita pede tua atenção, cheguei no nível mais difícil até aqui, me ajude a concluir”. Foi lindo, era a liberdade de Deus, meus olhos lacrimejaram, o que não é muito difícil. Mas o por vir seria mais forte ainda, ela me olha sem se importar com toda a soberba que estava à nossa volta e me diz: “e você, canta também?”. Eis que minha ignorância respondeu: “Não, minha voz é terrível” e ela tomada por Deus, me responde com a mão em meu ombro: “cantar para Deus não está na voz, mas no coração.” 

As palavras de Rafaela ainda ecoam em meu coração. Na singeleza de suas palavras, mas na verdade contida nelas, meus olhos não resistiram e as lágrimas vieram, e ainda vem cada vez que relembro o momento. E assim é Deus, louco para esse sistema, com suas peripécias, com Sua forma de nos guiar no caminho, mas com Sua beleza e Sua manifestação nos humilhados e pequenos. Obrigado Senhor pela graça manifestada em meu cotidiano! E de minha parte fica a minha prece para que Rafaela siga sendo teu sinal em nosso meio, e que possa eu aprender e ser também Teu sinal!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Poesias

A poesia não tem forma, nem formula
Poesia são as mais belas escrituras do nosso coração
Qualquer ser humano pode ser poeta
Basta pegar seus sentimentos
E escrever sem ressentimentos

Um poeta escreve em qualquer lugar
Só precisa ter lápis, papel e...
E um bom verbo a conjugar

Estes verbos podem conjugar
Do esporte à gloria
Da alegria à tristeza
Da solidão ao coração

Se estes verbos pararem de conjugar
Nossos descendentes não terão o prazer:
De com muitos gênios se deslumbrar

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Amigos Escassos

Da vida pouco sabemos,
E as raras idéias que temos;
São vagas, diante o mundo que vivemos;

Vivemos no mundo da globalização,
Mundo este em que...
A amizade, por vezes não vale um grão;

Já para outros, vale muito mais que um grão;
Pode valer toneladas...
Toneladas de um sentimento único,
Que mistura alegria, amor, emoção!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Kiss

Fica aqui minha singela homenagem as famílias e as vitimas... Essa palavra não deve ser esquecida de nossa memória, que ao ouvirmos Kiss, possamos lembrar os nossos erros, e corrigi-los.

Era noite
divertida
alegre
bonita

Eram jovens
Eram planos
Eram sonhos
Eram vidas

E as famílias a esperar
Um retorno que não acontecerá
E os telefones a tocar
E a dor que não para de aumentar

E as vidas que se vão
Pela fome de dinheiro
E aquela noite, que é sem fim
Nos olha, e diz: "KISS"

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Nossos Contrapontos


Não há amores, sem dores;
Não há vida, sem descida;
Não há flores, sem odores;
Nem primavera, sem aquarela;

Assim como não há Brasil, sem encantos mil;
Como não haverá beleza,
Onde seus olhos não vêem com destreza;
Nem sabedoria, onde há anarquia;

Se o mundo não fosse de opostos,
Os guardas não viveriam em seus postos;
A guerra jamais começaria,
E a paz em todo o sempre reinaria;